vertigem e tontura

Dra. Cristiana B. Pereira


home
labirinto: estrutura
labirinto: função
principais doenças
VPPB
vertigem fóbica
neurite vestibular
Doença de Ménière
vertigem e enxaqueca
vestibulopatia bilateral
fístula perilinfática
contato neurovascular
cinetose
material didático
bibliografia
currículo
contato


Neurite vestibular

 

Introdução

A neurite vestibular é uma doença auto-limitada, associada à recuperação completa na maioria das pessoas acometidas. Foi descrita no início do século XX e por muitos anos os foi denominada neuronite vestibular, termo que foi reposto por neurite vestibular uma vez que não é o gânglio, mas o nervo vestibular a estrutura comprometida. Acomete 12% dos pacientes no ambulatório de distúrbios vestibulares.

Os sintomas mais importantes são vertigem rotatória, alteração do equilíbrio, náuseas e vômitos de instalação súbita e sem alteração auditiva concomitante. A doença tem uma boa evolução, com melhora dos sintomas em 1-6 semanas, o que pode ser acelerado através de tratamento específico e exercícios vestibulares (fisioterapia).

    

Incidência

A neurite vestibular acomete igualmente homens e mulheres com pico de incidência entre 30 a 60 anos, mas pode ocorrer também em crianças e idosos.

    

Quadro clínico

A instalação do quadro é rápida e o paciente refere vertigem rotatória constante, que piora com qualquer tipo de movimento e tem uma melhora parcial com repouso. Nos primeiros dias, náuseas e vômitos são sintomas freqüentes.  Não há queixas auditivas, como zumbido, hipoacusia ou surdez. Devido à presença de um movimento ocular anormal, o nistagmo, o paciente pode ver os objetos oscilarem à sua frente. Há desequilíbrio, com dificuldade tanto à marcha como para se manter em pé. Os sintomas são mais intensos logo após a instalação do quadro e há uma melhora progressiva ao longo de dias.

 

Diagnóstico

O diagnóstico da neurite vestibular é realizado principalmente com testes clínicos (história e exame neurológico). A ressonância magnética não demonstra nenhuma lesão no nervo ou gânglio vestibular em pacientes com neurite vestibular, e só é indicada se houver necessidade de descartar outras doenças. O exame otoneurológico é solicitado com a intenção de confirmar o diagnóstico e estabelecer o estado funcional do sistema vestibular. A prova calórica (uma das etapas do exame otoneurológico) é realizado com a administração de água ou ar frio e quente nas duas orelhas (uma de cada vez), o que estimula o labirinto de cada lado de maneira isolada. A partir da comparação das respostas obtidas em cada um dos lados pode-se definir se há lesão e estabelecer a intensidade do déficit do lado comprometido.

 

Mecanismo

O sistema vestibular funciona em equilíbrio, isto é, ambos os labirintos mantêm uma freqüência de disparos constantes. Em situações normais, ao mover a cabeça de um lado para o outro um dos labirintos tem estimulo positivo e o outro negativo. Na neurite vestibular, como um dos nervos vestibulares está comprometido, não há transmissão dos disparos do labirinto daquele lado para o restante do encéfalo, enquanto o outro lado funciona normalmente. Isto resulta em uma informação errada, mesmo com a pessoa parada: uma lado tem informação e o outro não, como se a pessoa estivesse continuamente rodando a cabeça.

     Este mecanismo explica as queixas que as  pessoas com neurite vestibular referem:

  • sensação de rotação: deve-se à interpretação da informação errada que chega ao cérebro.

  • queda ou dificuldade para se manter em pé: o movimento normal da cabeça desencadeia uma série de respostas do equilíbrio para não haver queda. Na neurite vestibular há informação como se houvesse rotação da cabeça, e estas respostas são desencadeadas apesar do indivíduo permanecer parado; ou seja há um ajuste de postura desnecessário e que leva à queda.

  • ver os objetos rodando: o estímulo vestibular normal provoca uma correção da posição dos olhos. Devido à informação constante e errada durante a neurite vestibular a pessoa tem um movimento ocular contínuo, denominado nistagmo. Como os olhos se movimentam, há movimento da imagem e a impressão de que os objeto rodam.

 

Causas

No passado foram propostas duas principais causas para a neurite vestibular: doença viral e distúrbio vascular. Atualmente admite-se ser uma doença inflamatória de causa viral, provavelmente o vírus herpes tipo 1. Este vírus se mantém latente (adormecido) em muitos indivíduos normais e sem sintomas. Em diferentes situações que levam à diminuição da resistência o vírus se manifesta.

    

Tratamento

O tratamento da neurite vestibular inclui os seguintes aspectos:

  • diminuição dos sintomas: nos primeiros dias os sintomas são muito intensos e há necessidade de diminuir a sensação de vertigem, a náusea e o vômito. Nesta fase são prescritas as medicações anti-vertiginosas. Estas medicações, no entanto, não devem ser usadas por mais do que alguns dias, pois interferem de maneira negativa na recuperação (compensação central, ver adiante).

  • tratamento específico: o uso de antiinflamatório hormonal (corticóide), nos primeiros dias após o inicio dos sintomas auxilia na recuperação da função do nervo vestibular comprometido.

  • fisiotrapia: exercícios específicos para movimentos oculares, movimentos da cabeça, equilíbrio e postura auxiliam na recuperação dos pacientes com neurite vestibular, através de um mecanismo denominado compensação central. Na neurite vestibular há uma perda da informação do labirinto de um dos lados e portanto um desbalanço entre os dois labirintos. A compensação central é um mecanismo no qual, estruturas do encéfalo são estimuladas levando a uma reorganização das sinapses. Através desta reorganização sináptica as informações do labirinto ficam novamente balanceadas e também passa a haver maior participação do sistema sensitivo e visual no controle do equilíbrio.